De boca de lixo é feito o homem como aquele. Aspira aspirina, depois engasga-se com a própria saliva de porco. Um fétido quase transparente, coberto de Armani, meu amor. Põe gravata - que nada! a corda de uma setença de morte; põe botas humildes pra pisar na grama do vizinho. Usa um alicate para quebrar os fios alheios: tem medo. De quê? De perder. Quem sou eu? O caralho! Me diga você quem é o resto. De umbigo sujo, resto de algo que um dia já fora tão puro quanto nascente. Arruma a camisa (está um pouco fora de forma, meu amor), molda o tecido sobre toda aquela podridão que inunda a pele quando fala: Só. Merda. Esconde o cadáver ante o branco, por dentro é azul: não como o céu, não como mar; azul como a foda daquela puta morta em sua mesa de trabalho. Trabalho? O cu. Vai dizer pra mulher do caseiro para vigiar os holofotes, afinal, a luz é branca e ele, azul. Quem me dera! Um homem azul? Azul é puro, meu amor. Vermelho cor de sangue e preto cor de bosta? Posso te levar pro Japão em minhas ondas, se eu quiser. Ele pensa: e fede. Fede muito! Que é que tem na cabeça, meu amor? Uma alma em decomposição e merda de ser humano. Mas quem é que diz? Ri feito anjo. "Grande homem esse, quase foi médico!" MÉDICO? Não cura nem a si mesmo, o filho da puta! Órgãos atrofiados, tenho dito. Diga trinta e três: trinta e três. Meu senhor, está tão ruim aí dentro que sinto o cheiro pelos meus ouvidos, procure um médico. MÉDICO? Procure a morte, assim resolve. Quanto ódio, meu amor, que é que te fizeram? Ele anda calçado pela calçada, se tiver caco de vidro no chão, ele pisa. Pisa até naquela lata jogada fora do lixo. LUGAR DE LIXO É NO LIXO! "Grande homem esse, pensa no futuro!" Que futuro? Homem morto não tem futuro. Tão sem futuro, ô meu amor. E aquele menino sujo ali, tem? Tem! Ainda vira um grande policial, mas quem é que se precisa de policial quando se tem um riffle no bolso da jaqueta? Vamos matá-lo, então! Serão dois homens mortinhos da silva: um na rua e o outro no caixão. Deixe a escória pra lá, vamos beber. Opa, cuidado com essa merda aí no meio do caminho, é vermelho e preto. Pode sujar seu sapato social, ou sua bora humilde. Vermelho com azul? Não combina, meu amor. Abre a janela do escritório: que dia bonito, mas as nuvens estão negras. E a puta morta em cima da mesa, não vai ligar pra ela? Hoje não, estou plenamente satisfeito. Não sujei meu sapatos. Mas meu amor, que cheiro de merda é esse?
E por onde batem as suas portas?
sexta-feira, 30 de março de 2012
domingo, 11 de março de 2012
segunda-feira, 5 de março de 2012
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
De(sejos)vaneios brasileiros
É pano que rasga ferro,
Aço que corta bala,
Parede que fura prego,
Sangue que jorra ferida,
Água que queima fogo...
— Punhos ao alto!
Chora o menino, chora a menina
Atenta o cachorro
Declama a mão: punhos ao alto!
Erguem-se as bandeiras
Grita a nação: punhos
ao
alto!
Tinta sofrida estampada no repúdio do branco
da paz
Negro ferruge que encara o verde e amarelo do corpo
feito de milhões de corações
Que correm
Que
caem
Que quebram
Que sonham
Que negam!
Que lamentam...
Que socorrem
Que BRANDAM
Saudando o ardor da revolução literária:
Abaixo
os
puristas!
Pá! Pá! Pá! Tá! Pá!
Ecoa o tambor
Ao som do mar
À luz do céu profundo
Sol que vai fundo, pé que se quebra no asfalto
Erguem-se as bandeiras, erguem-se as vozes:
— Punhos ao alto!
Aço que corta bala,
Parede que fura prego,
Sangue que jorra ferida,
Água que queima fogo...
— Punhos ao alto!
Chora o menino, chora a menina
Atenta o cachorro
Declama a mão: punhos ao alto!
Erguem-se as bandeiras
Grita a nação: punhos
ao
alto!
Tinta sofrida estampada no repúdio do branco
da paz
Negro ferruge que encara o verde e amarelo do corpo
feito de milhões de corações
Que correm
Que
caem
Que quebram
Que sonham
Que negam!
Que lamentam...
Que socorrem
Que BRANDAM
Saudando o ardor da revolução literária:
Abaixo
os
puristas!
Pá! Pá! Pá! Tá! Pá!
Ecoa o tambor
Ao som do mar
À luz do céu profundo
Sol que vai fundo, pé que se quebra no asfalto
Erguem-se as bandeiras, erguem-se as vozes:
— Punhos ao alto!
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
O pintor e a angústia
Desliza a alma no papel
Pincel sangrando verde rubro, chorando tinta molhada
É aquarela, menino!
A qua(l)ela
Enxuga espírito
Liberdad! Liberdad!
Salta a bolha do fundo do poço, salta o papel
Só(litário) pra vestir o nu
de Angústia.
É tinta que passou da validade, corrompida pela mão que pinta
o verde cru na tela de inocência.
O piano lamenta a ditadura, a melodia
sufocando, preso no pudor ao lado do acordeão:
Liberdad! Liberdad!
— Estou branco, estou cego.
Quer olhos pra ser visto
Quer essência para ser sentido
Quer... Colorir Vida.
Os dedos estão empueirados, cor de ferrugem;
esmagado nas amarras do coração
Liberdad! Liberdad!
Desliza a mão no papel
Na dança, é som, é... breu.
Não é nem verde, nem azul
Nem mar nem selva
Nem a mocinha, nem a bailarina
É nada.
Liberdad...
Pincel sangrando verde rubro, chorando tinta molhada
É aquarela, menino!
A qua(l)ela
Enxuga espírito
Liberdad! Liberdad!
Salta a bolha do fundo do poço, salta o papel
Só(litário) pra vestir o nu
de Angústia.
É tinta que passou da validade, corrompida pela mão que pinta
o verde cru na tela de inocência.
O piano lamenta a ditadura, a melodia
sufocando, preso no pudor ao lado do acordeão:
Liberdad! Liberdad!
— Estou branco, estou cego.
Quer olhos pra ser visto
Quer essência para ser sentido
Quer... Colorir Vida.
Os dedos estão empueirados, cor de ferrugem;
esmagado nas amarras do coração
Liberdad! Liberdad!
Desliza a mão no papel
Na dança, é som, é... breu.
Não é nem verde, nem azul
Nem mar nem selva
Nem a mocinha, nem a bailarina
É nada.
Liberdad...
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Saudade é pra quem tem
Não quero viver presa ao passado, tampouco ás vestes do verão e às paixões de outono; não quero ter de manter-me sempre impecável num só coração, nem de continuar a lembrar daquela história que um dia foi minha favorita. Quero caminhar sobre as sombras, com os pés sob o sol que bate na areia; quero me encontrar numa rua nova, com outras labaredas e outras esquinas, com velhinhos recém-nascidos sentados em suas cadeiras de balanço a tecer o fim da vida; quero estar apaixonada por perfumes num dia, em olhares num outro; sentir saudades dos que foram, me encontrar com os que permanecem e saudar os que virão. Quero correr rasgando o vento, e rir para costurá-lo de volta; quero que o tempo passe e eu o veja, para poder cumprimenta-lo e perguntar como foi seu dia; quero respirar outros ares, ver outros rostos, sentir novos cheiros, arrepiar outras peles e até encontrar novos corações. Quero originar as palavras de certo alguém, ouvir a música do amor tocar na rádio, observar a árvore da vida a dar novos frutos… Quero viver sem grades, sem algemas, com as asas prontas para voar sob o céu azul duma tarde de domingo.
Um eu
Eu, sob edredons,
Sob chãos,
Sob pedras,
Sob perdas,
Sob um coração. Um coração sob dores,
Sob mentiras,
Sob destroços,
Sob cartas,
Sob caras,
Até sob viagra. Viagra sobre sexo,
Sobre você,
Sobre você e ela,
Sobre vocês,
Não sobre você e eu, não sobre eu.
O edredom sob chão sob pedras sob perdas de um coração. Um coração que dói, que mente, que destrói. Um coração sem você.
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